Parte II - Por terras espanholas até França.
Já o sol ia alto quando acordei.... Quando se termina tarde também se inicia tarde!
O primeiro dia de viagem é sempre o mais confuso e difícil... Olho em volta e reparo que ainda tenho muitos sacos no banco do pendura com mantimentos e roupas para arrumar. Ainda só tinha arrumado convenientemente as coisas do frigorífico, essas têm sempre prioridade! Nunca gostei de trabalhar numa cabine desorganizada, deixa-me inquietado ofuscando a necessária paz de espírito para que o dia corra bem.
Levanto-me e vou lavar a cara sentindo a fresca aragem do Norte de Espanha a fustigar-me as faces... o ar traz aromas característicos do campo a lembrar que o espaço urbano onde moro já ficou lá muito atrás... agora cada quilometro que vou percorrendo é para um lugar chamado "longe". Seja qual for o destino sei que será sempre muito longe... Faço o pequeno almoço, arrumo melhor a cabine e dou inicio a mais um dia de viagem...
Sigo pela N-I atravessando a bela e pitoresca localidade de Pancorbo. O musgo instalado nas antigas construções de pedra denuncia a sua idade, mantendo-as bem inseriras na paisagem com beleza e harmonia. A vila fica do lado esquerdo rodeada por enormes afloramentos rochosos, também revestidos de musgo... Atravesso o seu característico túnel ornamentado com duas torres, como se da entrada de um castelo se tratasse, entrando dentro do belo e rochoso Desfiladeiro de Pancorbo. Passo por baixo da linha férrea instalada na enorme ponte de pedra com os seus robustos e geométricos arcos, que ao contrastar com a rude e rochosa paisagem do desfiladeiro me dá a sensação de estar a atravessar um pórtico para outra dimensão, e sigo pelo desfiladeiro ao lado do riacho que também por lá passa.
Este desfiladeiro tem algo de mágico e de belo que não sei explicar bem. É sempre um prazer lá passar. A paisagem começa a ficar montanhosa como que a anunciar a proximidade dos Pirinéus que vão surgindo no horizonte. No entanto ainda terei que percorrer mais uns bons quilómetros até os alcançar realmente. Entro na AP1 e sei que agora e durante centenas de quilómetros será sempre "faixa larga", como se diz na gíria,"agora é sempre dar calor!!"
Faço uma breve pausa em Araia onde dou de beber ao Meu Cavalo de Aço uns impressionantes mil e tal litros de gasóleo.
Por breves minutos observo o majestoso voo das águias que normalmente vagueiam por estas montanhosas e rochosas paisagens. A forma sistemática com que lá nas alturas planam parece a coreografia dum bailado previamente ensaiado, feito de propósito só para ser observado, mas na realidade só estão a rastrear as vastas pastagens do vale procurando alimento.
Entretanto tomo um revigorante banho, compro pão fresco, tomo um café e estou pronto para atravessar os Pirinéus e entrar na longa planície francesa que se estende até Bordeaux.
Depois de umas horas a conduzir pela monótona estrada estou de volta aos meus pensamentos... Atravesso o complicado e cansativo trânsito de Bordeaux! Chove e faz sol... Um enorme arco íris surge no céu... estava cansado e encostei para repousar durante algum tempo!... Fiquei a apreciar aquele espectáculo e a pensar como o arco íris estava perfeito mesmo à minha frente... luminoso e colorido, carregava magia! Parecia que o tempo tinha parado... Sai do carro, chovia mas aparentemente a chuva não me molhava.
O primeiro dia de viagem é sempre o mais confuso e difícil... Olho em volta e reparo que ainda tenho muitos sacos no banco do pendura com mantimentos e roupas para arrumar. Ainda só tinha arrumado convenientemente as coisas do frigorífico, essas têm sempre prioridade! Nunca gostei de trabalhar numa cabine desorganizada, deixa-me inquietado ofuscando a necessária paz de espírito para que o dia corra bem.
Levanto-me e vou lavar a cara sentindo a fresca aragem do Norte de Espanha a fustigar-me as faces... o ar traz aromas característicos do campo a lembrar que o espaço urbano onde moro já ficou lá muito atrás... agora cada quilometro que vou percorrendo é para um lugar chamado "longe". Seja qual for o destino sei que será sempre muito longe... Faço o pequeno almoço, arrumo melhor a cabine e dou inicio a mais um dia de viagem...
Sigo pela N-I atravessando a bela e pitoresca localidade de Pancorbo. O musgo instalado nas antigas construções de pedra denuncia a sua idade, mantendo-as bem inseriras na paisagem com beleza e harmonia. A vila fica do lado esquerdo rodeada por enormes afloramentos rochosos, também revestidos de musgo... Atravesso o seu característico túnel ornamentado com duas torres, como se da entrada de um castelo se tratasse, entrando dentro do belo e rochoso Desfiladeiro de Pancorbo. Passo por baixo da linha férrea instalada na enorme ponte de pedra com os seus robustos e geométricos arcos, que ao contrastar com a rude e rochosa paisagem do desfiladeiro me dá a sensação de estar a atravessar um pórtico para outra dimensão, e sigo pelo desfiladeiro ao lado do riacho que também por lá passa.
Este desfiladeiro tem algo de mágico e de belo que não sei explicar bem. É sempre um prazer lá passar. A paisagem começa a ficar montanhosa como que a anunciar a proximidade dos Pirinéus que vão surgindo no horizonte. No entanto ainda terei que percorrer mais uns bons quilómetros até os alcançar realmente. Entro na AP1 e sei que agora e durante centenas de quilómetros será sempre "faixa larga", como se diz na gíria,"agora é sempre dar calor!!"
Faço uma breve pausa em Araia onde dou de beber ao Meu Cavalo de Aço uns impressionantes mil e tal litros de gasóleo.
Por breves minutos observo o majestoso voo das águias que normalmente vagueiam por estas montanhosas e rochosas paisagens. A forma sistemática com que lá nas alturas planam parece a coreografia dum bailado previamente ensaiado, feito de propósito só para ser observado, mas na realidade só estão a rastrear as vastas pastagens do vale procurando alimento.
Entretanto tomo um revigorante banho, compro pão fresco, tomo um café e estou pronto para atravessar os Pirinéus e entrar na longa planície francesa que se estende até Bordeaux.
Depois de umas horas a conduzir pela monótona estrada estou de volta aos meus pensamentos... Atravesso o complicado e cansativo trânsito de Bordeaux! Chove e faz sol... Um enorme arco íris surge no céu... estava cansado e encostei para repousar durante algum tempo!... Fiquei a apreciar aquele espectáculo e a pensar como o arco íris estava perfeito mesmo à minha frente... luminoso e colorido, carregava magia! Parecia que o tempo tinha parado... Sai do carro, chovia mas aparentemente a chuva não me molhava.
Reparei que
o arco íris se estendia desde longe até um bosque que estava
relativamente perto de mim. Percorri uma pastagem até alcançar o
bosque. Pelo caminho lembrava-me de uma história antiga sobre um
pote cheio de ouro na base do arco íris.
Entrei no bosque! Todo aquele ambiente era mágico... olhei para cima e lá estava o arco íris, belo e colorido como nunca o tinha visto antes. Tudo me parecia estranho... a vegetação do bosque era densa e fofa. Entretanto entrei numa inesperada clareira e lá estava a base do arco íris com um pote cheio de moedas de ouro...
-ESTOU RICO!!! - Gritei.
Só pensava em alcançar aquele maravilhoso pote cheio de ouro mas... tinha os pés presos ao chão. Por mais que fizesse força não conseguia andar.
-Calma. - disse-me uma pequena criatura semelhante a um Duende que surgiu magicamente de dentro da fofa vegetação.
-Quem és tu? - Perguntei.
-Sou um Leprechaun o guardião do tesouro. Primeiro quero saber para que queres o ouro? - perguntou o Leprechaun.
-Para ficar rico! - respondi.
-Isso é muito vago e estranho. Já ouvi falar de pessoas que são tão pobres que a única coisa que têm é dinheiro. Já ouviste falar da Felicidade?
-Sim, é minha amiga e companheira. - respondi.
-Se a Felicidade já te acompanha por que motivo precisas deste dinheiro todo? As maiores riquezas da vida não têm preço...
Entretanto escuto um som estridente e familiar. Era o meu despertador... Afinal estava a sonhar e tudo aquilo não passava de um sonho!... Fui lavar a cara e preparei-me para seguir a minha viagem enquanto pensava nas palavras do Duende: "As maiores riquezas da vida não têm preço!"
Entrei no bosque! Todo aquele ambiente era mágico... olhei para cima e lá estava o arco íris, belo e colorido como nunca o tinha visto antes. Tudo me parecia estranho... a vegetação do bosque era densa e fofa. Entretanto entrei numa inesperada clareira e lá estava a base do arco íris com um pote cheio de moedas de ouro...
-ESTOU RICO!!! - Gritei.
Só pensava em alcançar aquele maravilhoso pote cheio de ouro mas... tinha os pés presos ao chão. Por mais que fizesse força não conseguia andar.
-Calma. - disse-me uma pequena criatura semelhante a um Duende que surgiu magicamente de dentro da fofa vegetação.
-Quem és tu? - Perguntei.
-Sou um Leprechaun o guardião do tesouro. Primeiro quero saber para que queres o ouro? - perguntou o Leprechaun.
-Para ficar rico! - respondi.
-Isso é muito vago e estranho. Já ouvi falar de pessoas que são tão pobres que a única coisa que têm é dinheiro. Já ouviste falar da Felicidade?
-Sim, é minha amiga e companheira. - respondi.
-Se a Felicidade já te acompanha por que motivo precisas deste dinheiro todo? As maiores riquezas da vida não têm preço...
Entretanto escuto um som estridente e familiar. Era o meu despertador... Afinal estava a sonhar e tudo aquilo não passava de um sonho!... Fui lavar a cara e preparei-me para seguir a minha viagem enquanto pensava nas palavras do Duende: "As maiores riquezas da vida não têm preço!"
Mais umas longas horas a conduzir pelas estradas de França na companhia dos meus pensamentos e terminava mais uma jornada...
(continua...)





Que texto maravilhoso:) Que continues a fazer kms sempre bem acompanhado e protegido, para voltares para casa sempre alegre e feliz:) Amo-te todos os dias um bocadinho mais
ResponderEliminarParabéns por mais estas palavras maravilhosas que faz qualquer um sonhar continua tens mais um futuro à tua frente Deus te abençoe bjs pra toda família ��������
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